segunda-feira, 12 de setembro de 2011

A Fronteira da Educação no Brasil

Vários fatores internos e externos tem favorecido a aparente punjança da economia brasileira. É notório que o Brasil tem evoluído no agronegócio, indústria e serviços, um avanço calcado no emprego de tecnologias e uma gestão mais eficaz. Em suma, o país enseja mais um ciclo de crescimento. Todavia, a nossa infraestrutura precisa ser recuperada e um significativo investimento em educação deverá ocorrer para a efetivação deste futuro.
Grandes corporações migram para o Brasil, tais como as de biotecnologia, construção civil e agrícolas, proporcionando uma expansão de serviços. Entretanto, a oferta de mão de obra qualificada constitui um fator limitante, uma vez que a nossa estrutura educacional não está sincronizada com esta realidade. O Brasil caminha para um apagão de talentos, representado pela falta de pessoal qualificado em todos os patamares de trabalho por três fatores básicos: tecnologia, qualidade e educação.
O avanço tecnológico tem adicionado um pouco de complexidade ao cotidiano, sobretudo em situações de trabalho, com um avanço vertiginoso sem o igual acompanhamento pela maioria da população.
Atualmente os consumidores, em virtude de um maior grau de disseminação de informações (redes sociais, etc), estão cada vez mais exigentes - sobretudos aqueles que representam arranjos sociais diferenciados (DINKs, emergentes, etc) - e requerem quesitos de qualidade em serviços e produtos que a sociedade brasileira ainda não está capacitada para o pleno atendimento.
Com relação ao aspecto educacional, o Brasil possivelmente não terá condições de atender a demanda crescente de serviços com cursos de baixa qualidade. Segundo o relatório da Unesco, publicado em 2010, em um total de 128 países o Brasil figura em 88º lugar no índice de Desenvolvimento Educacional, superado por países como a Bolívia e Paraguai. Outro estudo realizado pelo Programa Internacional de Avaliação de Estudantes, o Brasil ocupa o 53º. Lugar em ciências e 57º. Lugar em matemática, dentre os 65 países pesquisados em 2009. Coube a China o primeiro lugar.
É notório que o Brasil, dentre os BRICS, está muito atrás na formação de profissionais para viabilizar seu crescimento no campo das ciências exatas. Este cenário reflete o número irrisório de patentes brasileiras, inferior a 4000 por ano (WIPO: Statistics Database and World Bank). O crescimento de patentes no Brasil nos últimos 10 anos foi de apenas 20%, enquanto na  China foi 800%, graças a um vigoroso  investimento em educação planificada. Neste aspecto, cabe salientar que no Brasil, além de investir, os nossos gestores precisam sobretudo aprender a investir na educação. 
No ano de 2010, um artigo publicado na Science (“Brazilian Science: riding a guscher”3 –december/2010 vol. 330), evidenciou de forma alarmante o despreparo do setor educacional superior brasileiro com a evolução da baixa qualidade dos cursos de graduação. É necessário criar alternativas educacionais que acompanhem as demandas econômicas e sociais da nação, sobretudo na geração de bens, aliada a evolução tecnológica. A educação a distância (EAD) constituti uma ferramenta de acesso importante ao setor educacional, porém deve ser corretamente direcionada ao atendimento das premissas de qualidade e empregabilidade econômica e social. Sem atendimento a estes preceitos, a  EAD será apenas um instrumento de distanciamento da realidade social e econômica do Brasil. A preparação de um aluno capaz de correlacionar conhecimentos, entender contextos sociais e gerar análises, deve acontecer em um processo continuado, a partir das séries iniciais. Com estas competências, a eficácia de uma Educação a distância será efetiva, pois o aluno estará perfeitamente instrumentalizado ao autodidatismo, condição importante ao aprendizado por meios tecnológicos.

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